Publicado há
6 anos -em
Por
Anderson Barbosa
“Não vá pegar esse protocolo apenas pela cloroquina, pois essa questão está muito politizada, pegue todo e use todo o protocolo que você vai salvar muitas vidas”, diz o diretor da unidade em Floriano (PI)
Após uma publicação mostrando que o Hospital Regional Tibério Nunes, em Floriano no Piauí, do qual o médico Justino Moreira é diretor técnico, muitas pessoas procuraram a unidade de saúde para esclarecer sobre o uso da cloroquina para o tratamento da Covid-19.
O DM Online conseguiu uma entrevista com o médico que explica o que tem sido feito na unidade e qual o procedimento adotado em ambas as fases, e qual deles tem tido o melhor resultado. De acordo com Justino Moreira o protocolo para o uso da cloroquina é usado no estado desde o início da pandemia, mas isso nas fases hospitalares, quando o paciente realmente sente a falta de ar.
Conforme o diretor técnico do hospital durante essa fase não havia mais benefícios para o paciente. “A gente usava e mesmo assim o paciente tinha uma evolução no quadro clínico com a insuficiência respiratória e ia para UTI”, explica o diretor.
Justino Moreira afirmou que em Floriano cidade na qual fica o hospital, a ideia foi seguir um protocolo feito na Espanha, com antecipação da cloroquina para o período precoce, para o início dos sintomas com o intuito de evitar a replicação viral, entretanto o médico salienta que pelo número de casos ser pequeno, e ainda não estar documentado “apenas apostamos na fisiopatologia, que agente vem fazendo isso, que dificulta a entrada do vírus nas células e a sua multiplicação”.
Em relação ao sucesso do hospital na cidade, o diretor acredita que seja na segunda fase do tratamento, que é a fase hospitalar, que é a fase que o paciente chega a unidade com sintomas entre moderados a grave. “Se eu pegar esse cara entre sete e 10 dias e fizer a corticoideterapia injetável nele, é o que responde é aplicação de corticoides na fase dois e o anticoagulante para não deixar trombosar e nem deixar a inflamação avançar muito”.
O médico orienta a não ir pegar o protocolo apenas pela cloroquina, pois está muito politizada. “Pegue todo, e use todo que você vai salvar muitas vidas. Os que a gente usou aqui nós tivemos muito sucesso, eles não evoluíram mal, e estão fora de UTI e até receberam alta é muito bacana”, conta.
Conforme o diretor da unidade os dados com o uso do corticoide tem sido documentado e mostra que ao menos 20 pacientes submetidos ao tratamento apresentaram bons resultados. “Temos um viés de seleção, com 10 funcionários infectados e sem um grande comprometimento do pulmão, aplicando o tratamento na fase dois de forma precoce e então com 15% a gente já ataca e porquê a gente não vai esperar esse paciente evoluir para um grande comprometimento do pulmão”.
O médico explica que há muito cuidado com os profissionais da unidade, uma vez que há entre eles 10 contaminados pela doença. O protocolo é aplicado em pacientes que vem de fora, principalmente quando chegam a unidade em um período entre sete e 10 dias.
“Pacientes que vem de fora por exemplo chegar numa fase ideal entre sete e 10 dias, nós temos feito também e tem dado certo. Então temos um número de 20 e todos evoluíram bem”, explica o diretor. O médico fala que é importante a aplicação do tratamento com corticoide apenas na fase dois, pois na primeira pode haver complicações, e a partir do tratamento na segunda fase, que é a fase hospitalar é possível evitar a fibrose no paciente e a ocupação de leitos de UTI.
Conforme as declarações de Justino Moreira outros pacientes chegaram com o estado mais agravado e não tiveram uma boa resposta e às vezes nem foram submetidos ao tratamento, em alguns casos por terem comorbidades, e outros causados pela demora no diagnóstico da doença, que é uma das grandes preocupações dos médicos.
Além da demora para que a doença seja diagnosticada, o diretor acredita que existem outros fatores, como por exemplo a exame de imagem como a tomografia. Pois segundo Justino devido a orientação ser para procurar a unidade hospitalar apenas em casos de falta de ar, às vezes há pacientes com quase 50% do pulmão comprometido, mas que não apresenta falta de ar.
“A gente perde muito tempo na hora do diagnóstico, pois ao chegar o paciente com essa falta de ar, então você perde mais tempo aguardando a confirmação, então você tem que decidir se arrisca logo a fazer a medicação antes confirmação. Então os doentes com comorbidades graves que não tem uma reserva, e não podem esperar por essa confirmação acaba falecendo”, explica.
Para o diretor da unidade faltou uma melhor preparação por parte do governo para o tratamento nas primeiras fases da doença, uma vez que eles se prepararam para a terceira com a aquisição dos respiradores. “Eu vejo assim que o governo gastou para tratar a fase 3 com ventiladores e não apostou em tentar fazer o diagnóstico antes, com a questão da tomografia e com o uso de corticoides injetáveis nessa fase, pois você freando ai, você evita o colapso da UTI, pois você comprando só ventiladores, é muito difícil você ganhar essa guerra, pois o paciente já vai no estágio final com o prognóstico reservado”, encerra.
Sou Anderson Barbosa, editor-chefe do Fala Pinhais Fale Comigo: barbosa@falapinhais.com Saiba mais sobre mim: www.facebook.com/BarbosaCWB
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